PURA POESIA

PURA POESIA

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Amanheceu

Quando a noite caiu nos meus olhos, subitamente meu corpo outrora pesado passou a levitar e sob uma cama de estrelas me pus estarrecida.
O dia havia sido perturbador e as chagas de tempos difíceis ainda doíam deveras, mas quando a noite caiu, um refrigério acalentou meu espirito...
... O que há na vida sem a esperança do amor? 
O que há com os homens que se calam diante de suas feras?
O que há no mundo de certezas que não nos frustram?
Míseros somos diante de nossa espécie!
Incalculáveis são nossos erros e por isso são como fumaça nossos dias.
O dia acontecia tenebroso. Passar pela angustia do tempo, cortava-me silenciosamente os punhos. As palavras sem nexo sublinhada de atitudes mortas eram visíveis, por isso a mudez era o melhor caminho.
No entanto, qual caminho angustiante era ficar sem as boas palavras, pois a ermo andava sem o sal das mesmas.
O homem procura viver de acordo com o pensamento,coração ou palavra.
Procura salvar-se diariamente, mas cai em suas próprias manhas.
O seu pensamento desprende-se com muita facilidade. O seu coração o trai com muita velocidade e sua palavra o nega com muita vivacidade.  
Então viver com as somas de muitos dias, é ser desafiado a cara dura, pois arregace as mangas quem deseje vencer. Sim, viver é para poucos.
Estamos numa batalha chamada VIDA, e muito é exigido de nós soldados e servos.
Com rostos muitas vezes pálidos e corpos feridos, ainda somos capazes de carregarmos nossos corações esvaídos de sangue a um lugar de abrigo. Ainda somos capazes de gritar por ajuda. Ainda somos capazes de crer na cura... Isso é viver.
Contudo, não é fácil. Mas o que é fácil?
Negar com insensatez a ideia de sermos GENTE?
Tolice, ser GENTE não é tão simples, mas sua complexidade cabe em nossas mãos, porque o mundo gira em metamorfoses e somos agentes de toda mudança dentro e fora do nosso mundo.
E o dia é cansativo sim, mas é tão gratificante quando a noite cai em nossos olhos, e deitar sob uma cama de estrelas, oh! É como escrever palavras geradoras de luz.
Extrair o sumo de estrelas tão dóceis enche-nos de prazer, e desfazer-nos na acolhida desse lugar é salutar. 
A noite caiu nos meus olhos, então procuro recompor-me com o jubilo dos cânticos já despertos...Pois logo, logo direi, Amanheceu.

(laura salgado)

* prosa do livro ALGUMA PROSA E OUTROS VERSOS( a ser lançado)





sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Ora, o amor




Ora, o amor não escolhe sexo, idade ou calcula as distâncias dos corpos. Ele escolhe um cantinho do teu coração pra morar. Cabe a você alimentá-lo e deixá-lo ficar.
Ora, o amor age de maneira igual a séculos e ainda assim nos surpreendemos com sua força dentro de nós.
Dá vazão aos seus desejos e emoções é arriscar-se deveras... pois assim fazendo, passas a não reconhecer-se; suas atitudes são para o outro, sua atenção é para o outro, seu prazer é estar com o outro; nos seus dias, nas suas noites, tardes e luares.
É difícil viver sem um amor... sem um amor que te complete e te extasie.
Sem um amor que te domine... e que dominando-o, te faça feliz.
Quão enriquecedor é amar alguém... e entregar-se a ele.
Quão desafiador é render-se a um amor... e confiar nele.
E se um dia, se um dia o homem puder escolher uma riqueza...
... tomara que escolha  amar... 
... Porque é amando que as espécies perpetuam... e o melhor de nós, também.

QUAL A FACE DO AMOR?


Qual a face do amor?


Daquele amor que navega 
nas águas salgadas
o que despenca de estrelas
o que salienta a mesa
e o que desnorteia a palavra

                                           do amor de doçura a boca
                                           amarga lágrima
                                           falsas fadas
                                           e que assaz coroa

do amor inquieto e reverso
tranquilo e incisivo
amor que tu sentes
amor que eu sinto

                                          seja desta brisa que mente
                                          ou de um tornado colorido

( laura salgado)
                  

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

SOB O OLHAR DA LUA



UM CORPO INCENDEIA
UM OLHAR

A ESPREITA
 SOMBRAS E DESEJOS 

UM ANJO DESPIDO
ARRANCA ARREPIOS

EM NOITE  DE LUA CHEIA .



O BEIJO








Abraça-me... depois 
reclamas... depois
mentes... depois
agora... 
... somente beija-me.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Matando a vontade.


beija-me
inteira
a noite
toda

cola
tua
boca
na minha

desfaz
meu
cabelo
suga
meu
corpo
sem
freio

sacia
a tua
e a minha
vontade

de um amor
sem roupas.

(laura salgado)




terça-feira, 25 de novembro de 2014

Lembrança do amor

 
Nas tardes de todo dia,
havia um cheiro gotoso
do beijo e do sorriso dele
quando de mãos dadas,
passeavamos 
e esbanjávamos felicidade.
na praça, no jardim,
na feira, no teatro
e também na praia.
Ah! Que saudade má!
Que me castiga e me faz chorar.
O mar deveras soluça comigo
e o sol lentamente
se recolhe sem nosso sorrisos,
fito, parada assim, o infinito
na tentativa louca de encontrá-lo
e nos seus braços novamente ser feliz.
os dias calam-se
e a beleza da flor
se apaga dentro de mim
o que há do meu coração
neste mundo ainda?
pois só alimento uma triste ferida
 no vazio de um amor
alma, que de quão fria
soluça de dor.
 
(Laura Salgado)

Sobre Pedras

 
desço sobre pedras
à colher tuas pétalas
ainda que sobre elas
eu me machuque
 
desço... obstinada
sem reservas, sem coléra, sem nada
 
desço... ciente de mim...
 
.... e o quanto tuas pétalas
me farão sorrir.
 
 
(Laura Salgado)